23 janeiro 2007
22 janeiro 2007
A espiga de milho
21 janeiro 2007
20 janeiro 2007
A minha parcialidade! :D
O Rossio é o melhor bairro!...
Quando não se tem responsabilidades na organização, podemos estar, de alma e coração, de um dos lados da barricada, e lançar umas atoardas...
Mas, neste caso, a realidade dos factos é só uma: o Rossio bate sempre o Paço... Uns anos aos pontos, outros por KO!...
Os marchantes são melhores, mais bem vestidos, cores mais bem escolhidas, letras e musicas de maior qualidade... Nos carros alegóricos vai mantendo a tradição da critica social e política e vai resistindo a tentação de fazer monos!
É no Rossio onde tudo acontece (ou vai acontecendo), é no Rossio que estão as pessoas que fazem evoluir o Carnaval, mentes mais abertas e livres... É o Rossio que luta pela liberdade e tradições... É sempre o Rossio que se sujeita aos desvarios do Paço em nome do Entrudo de Canas... É no Rossio onde os desfiles atingem o clímax... Onde o adversário reconhece ser a verdadeira essência de meses de trabalho e noites perdidas...
O Rossio não boicota, não corta a energia aos carros da musica do Paço, não põe em risco a vida de pessoas e bens... Não atira para cima das pessoas tractores e reboques, não anda com colunas de som de toneladas a ziguezaguear sobre as pessoas , não precisa de 6 metros para passar com carros de 3...
Ahh... Como é bom poder ser parcial!...
19 janeiro 2007
Rossio Adorado
A minha amiga Achadiça pretende atingir o Rossio através dos supostos desaires sexuais de duas supostas amigas que supostamente aderiram ao Paço por via de uma qualquer bebedeira. Compreendo a parte da adesão. É preciso estar muita bêbeda e mentalmente incapacitada para aderir àquele cortejo.Quanto ao regabofe pretendido e muito bem escusado pelos meus companheiros de bairro, só vos posso dizer que, dadas as características muito peculiares das ditas forasteiras, fizeram eles muito bem. A malta do Rossio, nesta matéria não vai a saldos de última estação nem abdica de confortar convenientemente as frescas e viçosas meninas do Rossio. E eu sei do que estou a falar.
Elas que se amanhem lá com a decrepitude anciã do bairro onde se embebedaram.
Por agora fico por aqui, no meu Rossio adorado.
Cristalinda
Da minha Parteleira dos tabus!
Pisão = pedra embrulhada num pano. Uma brincadeira de Carnaval. Tem um esquema para ser atada e controlada de longe. Os brincalhões escondem-se e simulam o bater COM MUITA FORÇA na porta da vítima (por vezes deixa grandes mossas nas portas....). Escolhem-se altas horas da noite para esta brincadeira, que hoje em dia ainda tem lugar, no meio de muita risada, pois a vítima é escolhida pelo seu mau feitio. A vítima, ou vocifera e vai buscar a caçadeira, ou tem um belo "fair play" e convida os foliões para beber um copo...
No final de cada semana de aulas, habitualmente sexta-feira, Daniel escutava sempre a mesma frase dita por João, seu colega de carteira:
- Amanhã vou para "a terra"!
E "a terra" de João era longe, Canas, Canas de Senhorim, de que ele falava muitas vezes, até nas composições que a professora pedia na sala de aula. Assim, chegado o fim de semana, lá partia João com os pais rumo ao norte…
Daniel pensava então:
- E a minha terra? Se nasci aqui em Lisboa ...então sou daqui.
A cada segunda-feira, no regresso de João, Daniel sorvia com avidez as narrativas e descrições do seu amigo, passadas lá em Canas: Falava-lhe do Carnaval com os seus divertidos pisões, terminando a festa em despique bravo nas "quatro esquinas". Da sua avó sábia, mestre na arte do queijo, que sempre arranjava um momento para cozer magníficos bolos que ele comia regalado nas tardes chuvosas. Ou daquela história divertida da porca preta que resolveu fugir mesmo no dia da "matança" e, embora perseguida por uma família inteira através dos quintais, ganhara a sua liberdade. Talvez viva, ainda, lá para os lados do Mondego com um simpático javali. E aquela serra, todinha, vestida de branco…
Ainda por cima, Canas tinha um Rossio, algo muito familiar para Daniel, menino Lisboeta.
Daniel ficava a pensar em Lisboa, com as suas praças e avenidas apressadas, com uma expressão triste de quem não pertence a lugar nenhum.
Havia aquela coisa estranha, de que todos os Lisboetas eram sempre de outro lugar.
E Canas? Uma ideia começou a germinar na cabeça de Daniel:
- Quando for grande, quero é ir a Canas!
Até sonhou com aquela Canas imaginária.
Um dia, chegava o pai vindo do trabalho, Daniel perguntou-lhe:
- Pai, porque é que nós não "vamos à terra"?
- Porque a nossa terra é aqui. Respondeu o pai.
- Mas esta cidade parece não me pertencer...
- Vou-te contar um segredo… A nossa terra é onde está o nosso coração e, o nosso coração, sabe sempre o seu lugar.
Uma coisa Daniel não sabe, mas eu sei, como contador desta história, e vocês leitores também, porque a estão a ler: Um dia, Daniel irá finalmente a Canas. Lá conhecerá a irmã de João, Inês, encontrando o amor naquela bela rapariga nascida ali mesmo na Póvoa. O seu coração fará uma escolha, descobrindo finalmente a terra porque tanto ansiara.
Pois, como seu pai tinha dito:
- O Coração conhece bem o seu lugar.
Gaivina no blogue Voz em Fuga
lembrete
Em sequência no excelente texto do Portugasuave apraz-me acrescentar...
O inicio do Carnaval em Asnelas deve-se também e principalmente ao facto de, numa altura conturbada nos bairros em Canas, onde, inclusivé, o Paço não saiu à rua, preferindo fazer uma sardinhada, canenses resolveram ajudar ao inicio do entrudo asnelense... Contribuiriam ainda, de uma forma decisiva, canenses migrados para a capital de município!...
Há quase duas décadas a minha professora de Biologia (em nelas) tinha uma opinião que passou a ser a minha... Por uma questão de lógica, até financeira, Canas Senhorim organizaria o Carnaval e Asnelas os Santos Populares visto serem, respectivamente, as tradições mais enraizadas de cada povo...
Sejamos claros... Em asnelas, o Carnaval sai (quando o tempo deixa) realizado e produzido pela câmara em 90%...
Aluguer de fatiotas, publicidade, logística, construção dos carros, contratação de marchantes (até de Canas), dinheiro ilimitado (Os fornecedores das associações iam directamente à Câmara receber), mão de obra camarária, utilização de veículos... E depois de tudo, ainda mais dinheiro de subsídio...
Em asnelas tiveram a lata de fazer um pseudo-congresso sobre o Carnaval português, com a presença de muitas Vilas do país com Carnaval enraízado... Esqueceram-se de Canas de Senhorim... Coisas de Zé Colmeia!...
O Carnaval de Canas precisa de muitas coisas, principalmente organização... Experimentar a mudança é sempre de saudar, este ano parece que vai haver algumas tentativas... Podendo desde já digo, não concordar, louvo os que tentam a mudança para um Carnaval melhor!... Força aí a todos!...
Verdade nua e crua!
Parece-me óbvio que é o Paço o bairro mais esforçado e trabalhador... Mas isso nunca pôs em causa uma realidade... O Rossio é o Melhor!...
Resposta
"O vinho do Dão, que as apanhou desprevenidas e as deixou demasiado atrevidas, fê-las pasar por autênticas moças do Paço..."
Como é que é? Partimos do pressuposto que a definição de autêntica moça do paço é: Atrevida e com sangue a mais no álcool????
"e, não fosse a atenta intervenção de um amigo meu do Paço, a pobre vinha encharcadinha para casa."
Agora pergunto eu: Onde estavam os heterossexuais do paço? Nenhum agradou às tuas amigas??? E a intervenção desse teu amigo, foi para safar a tua amiga ou para ficar com a presa mesmo babando e regurgitando cerveja???
Agora que já me assumi como Rossiense convicto, pronto a rebater qualquer coisa que, com ou sem razão,(é isto o bairrismo) apontem ao meu bairro dou assim por iniciada a minha parca e ligeira prestação neste blogue cheio de boas intenções...como o inferno.
Beijos e abraços
Má Lingua
a/c Paço
Desta vez...
18 janeiro 2007
Nem entrudo nem folguedo
Contrariando tradições antigas, verificamos que este berloque junta na mesma “associação” pacenses e rossienses, criando a ténue ilusão de que toda a gente vai comungar pacificamente desta união. Pois está redondamente enganado o seu mentor e todos aqueles que julgam possível qualquer harmonia entre as convidadas Achadiça e Riça, assumidamente do Paço, a Cristalinda, do Rossio, e os demais convivas, seus opositores bairrenses.
Desde já, abdico da minha condição de conciliadora e de presidente do Mulherio, para fazer valer a minha veia pacense. Como tal, que fique esclarecido que a partir de agora, neste berloque, falarei somente em meu nome e assumirei pessoalmente todas as responsabilidade sobre os vitupérios que já me ocorrem.
Duma vez por todas espero que o Rossio invista algum dinheiro na formação de carpinteiros e soldadores para que se consiga compreender que raio de bicharada é que eles montam nos carros alegóricos. O problema é que nem montar os carros nem montar nada... são incompetentes em ambas as montadorias.
No ano passado vieram cá duas amigas minhas, disponíveis e cheias de expectativas quanto à qualidade do milho. Uma solteirona pouco convicta, outra divorciada em fase avançada de desespero, ambas acalentando igual esperança de encontrar companhia agradável e diversão carnavalesca. Por solidariedade para comigo ou por genuína simpatia pelo bairro, o certo é que de imediato se identificaram com a marcha do Paço e, folionas alinharam no cortejo brincando e rindo como toda a gente. O vinho do Dão, que as apanhou desprevenidas e as deixou demasiado atrevidas, fê-las pasar por autênticas moças do Paço tal era a convicção com que gritavam afinadas “eu sou do Paço...”.
À noite, a rivalidade vivida à tarde é substituída pela euforia subversiva dos copos e pela descompostura do gesto. As minhas amigas estavam maravilhadas com a transmutação e pela animação geral. O machos galifões de imediato farejaram a presença das forasteiras e cirandavam de todos os lados a manifestar seduções. Entusiasmada com os avanços de um franganote do Rossio, uma delas já andava desesperada a saber de uma pensão em Canas e acabou por desaparecer junto com o franganote. Pensava ela que a noite acabaria em grande, mas o certo é que o franganote ao aproximarem-se as vias de facto pôs-se a andar alegando horas de entrar em casa. A outra mereceu o embevecimento de um galo a cair de velho, também do Rossio, que passou a noite a babar cerveja para cima dela e, não fosse a atenta intervenção de um amigo meu do Paço, a pobre vinha encharcadinha para casa.
Foi com esta imagem que as forasteiras partiram no que se refere à qualidade do milho. Lamentável. Com isto mais se reforçam as minhas convicções bairristas. Portanto, minhas amigas forasteiras se querem espevitar as penas fujam dos galos do Rossio pois de lá nem entrudo nem folguedo.
Rapariga, se és forasteira
E queres milho na capoeira
Não procures no Rossio
Pois lá o cortejo é coxo
E os galos sem pavio
Vem mas é ó Paço
Se queres encher o regaço
Um gajo do Rossio A propósito...
A tentativa de ensombrar o nosso Carnaval, levada a cabo pela Câmara Municipal de Nelas, desde que em 1977 se prestou a incentivar e apoiar uma cópia do Carnaval de Canas de Senhorim, é sobejamente conhecida dos canenses e já não nos suscita qualquer comentário, senão o de registar as mentes perturbadas dos fomentadores de tal recriação. Porém, julgo importante recordar e esclarecer as circunstâncias que levaram à criação da macaquice do carnaval de Nelas.
A ancestralidade do carnaval de Canas de Senhorim perde-se no tempo e na memória. Segundo reza a história, há 300 anos que se vem realizando regularmente, constituindo, pela sua tradição e genuinidade, caso ímpar no panorama nacional.
Das suas características peculiares, mantidas até aos dias de hoje, realço a sua originalidade, assente na saudável rivalidade entre os principais bairros da terra (Paço e Rossio) e a diversidade de costumes que animam, não só os quatro dias de folia, mas também os que os antecedem. O facto de nunca ter cedido a influências brasileiras confere-lhe um cunho tipicamente popular, bem patente no ritmo das marchas dos corsos e nas Bandas de Música que as interpretam.
Carnaval de Canas de Senhorim, Bairro do Paço, 1953Ora, perante tal evidência, o mínimo que seria de esperar dos responsáveis camarários (Câmara Municipal de Nelas) era que apoiassem e difundissem este evento, assumindo-o como património cultural da região, elegendo-o como ex-líbris do calendário festivo do município e promovendo-o eficazmente.
Mas não. Muito pelo contrário. O que a Câmara Municipal de Nelas fez no ido ano de 1977, foi incentivar a recriação na sede do município (Nelas) de um carnaval artificial, tirado a papel químico do nosso. Simularam uma rivalidade ficcionada entre dois bairros postiços e saíram ao embuste, sem pejo nem dignidade.
Ocorre-me aqui a leviandade de imaginar o que seria se a Câmara do Carregal, inspirada pelo plágio da sua congénere nelense, importasse a vetusta e tradicional Dança dos Cus de Cabanas de Viriato para o Carregal do Sal. Impossível! Pertencesse Cabanas ao concelho de Nelas e asseguro-vos que o “bate cu” há já muito tempo seria parte do folclore “genuinamente nelense”.
Carnaval de Canas de Senhorim, 1953
Na ausência de tradições assinaláveis e a coberto de líderes despeitados e sem escrúpulos copiou-se o que havia para copiar e aviltou-se assim o património alheio na confecção de um carnaval por receita. Roubo premeditado e plágio consumado.
Mas não ficou por aqui o desplante. As verbas atribuídas ao carnaval de Canas, quando atribuídas, representam um ultraje quando comparadas com as do carnaval de Nelas, seguindo, aliás, a política orçamental habitualmente dedicada a Canas. A disparidade de verbas concedidas em 2006 para aquele efeito traduziu-se em 20.000€ para Canas e 50.000€ para Nelas. Mais do dobro.
Carnaval de Canas de Senhorim na actualidade, 2006
Admito que a situação melhorou com a tomada de posse da actual presidente. No ano passado a câmara, para além da verba concedida, pagou os cartazes promocionais, o papel para as flores, os autocarros para as bandas, as licenças e direitos de autor, as vedações para as ruas e a publicidade nos jornais e rádios. Disponibilizou ferro e outros materiais e ofereceu os serviços de soldadores e carpinteiros da câmara para fazer os carros alegóricos (as associações de Canas recusaram este último). Tudo isto à semelhança do que proporcionou ao carnaval de Nelas e sustentado pela óptima relação com o Dr. Borges da Silva que sempre esteve disponível para ajudar. Contudo, a disparidade de verbas atribuídas a ambas as vilas demonstra ainda uma atitude discriminatória que a presidente tem o dever moral e a obrigação política de corrigir.
Já não aspiramos à tal “discriminação positiva” que serviu de mote à sua campanha eleitoral e que se gorou no imediato, aquando da aprovação do orçamento. Desejamos sim, ser tratados com a igualdade de meios, a consideração e o respeito que nos são devidos enquanto munícipes, cidadãos e herdeiros de uma tradição que representa uma das expressões mais autênticas do carnaval popular português.
Viva o Paço. Viva o Rossio. Viva o Carnaval de Canas de Senhorim.
Créditos:
Blog Município Cannas de Senhorym
Cingab















Arte do Rossio no Carnaval de 2006