31 janeiro 2007
30 janeiro 2007
29 janeiro 2007
A Rivalidade
Embora os contornos sejam de difícil exactidão, parece que a rivalidade carnavalesca entre os principais bairros de Canas de Senhorim, advém do costume antigo de as moças solteiras, por essa altura, se fazerem mostrar, integradas em marchas populares, pelas ruas de Canas. Organizadas por bairros, Paço e Rossio, lá iam em jeito de provocação mostrar-se energicamente ao outro bairro.
Não é de espantar que os moços do bairro oposto imbuídos do espírito favorável da época arriscassem alguns piropos ou até atrevimentos mais ousados. Ora, para que a dignidade das raparigas do seu bairro não fosse abalada, os rapazes acompanhavam-nas aquando da passagem pelo bairro opositor, para evitar abusos de maior.

Mas nestas coisas já se sabe! Uma provocação, muito galo em confronto, um copito a mais, um namoro mal resolvido, palavra puxa palavra e a escaramuça era quase inevitável. Curiosamente muitas dessas situações eram provocadas pelas raparigas que, por motivos de namoricos ou de rivalidades amorosas, se insinuavam quer a eles quer a elas, exorcizando no gesto afrontas que noutras circunstâncias seriam descabidas ou desaconselháveis.
Ainda hoje as mulheres mais velhas, com memória de tempos mais antigos, são as mais aguerridas no confronto e na incitação.
Está bem de ver que a honra das raparigas se media em função da bravura dos rapazes. Vai daí, e segundo alguns relatos que nos chegaram e que me parecem credíveis, a horda de rapazes munia-se de varapaus e a violência estalava assim se justificasse a afronta. Ou não!
Lá no fundo a rivalidade nasceu da eterna contenda humana entre amores e desamores, ciúme e despeito, acção e reacção, que associada ao espírito colectivo que o bairrismo incita, determinou a competição que ainda hoje podemos assistir.
Bem, hoje em dia já não temos bordoada mas desaconselho qualquer incauto a ir gritar Viva o Paço para o Rossio de Baixo. LOL.
28 janeiro 2007
27 janeiro 2007
26 janeiro 2007
Não muito longe vão os tempos, em que o Carnaval de Canas se parecia mais ao que é hoje a feira das velhas... Grupos de moços e moças, dos dois bairros, iam alternadamente ao outro bairro... A participação dos homens resumia-se a andarem ao lado do corço com varapaus não permitindo que se misturassem as “raças” ... Claro está que, andarem pessoas nas ruas, em tempos de Carnaval, com paus na mão, confrontando o outro bairro, não podia dar bons resultados... Quase sempre saía “molho”!... Neste particular, era o Rossio que perdia!...
Conta-se que certa vez os guardadores de rebanhos do Paço conseguiram empurrar a marcha do rossio para dentro dos “claustros” (antiga vacaria junto à Igreja), transformando o espaço num ring de box...
Claro que haviam pedradas, murros, urina e fezes, os tais paus, farinha...
E quem não se lembra das “majoretes”?... Haverá muito bom homem, casado e pai de filhos, que não esquecerá... É que elas não eram só enfarinhadas...
As mascaradas, pessoas que correm pelo breu da noite (e não só), completamente irreconhecíveis, assustando os mais desprevenidos... Mais uma tradição de Canas!...
E as Comadres e os Compadres?... Às gentes solteiras eram sorteados pares para dançarem nos bailes à noite... O Rossio reeditou essa tradição em 2006... É verdade que o sorteio, bem, o sorteio... Mas que sorteio... Ehhhhh!...
Temos também o episódio, contado pelo António João (chamado o Judeu – isso também tem uma história, fica para mais tarde) de quando um novo cabo veio para o posto da GNR e ordenou a proibição das bombas de Carnaval (o tempo deu-lhe razão). António João e muitos outros combinaram que todos os foliões canenses lançassem à mesma hora, numa noite, as bombas junto ao posto... Aquilo parece ter sido algo de levantar os mortos das campas, os Cabo pediu para sair de Canas!...
memória 2004 |II|
A Smell of Venice in Portugal 3Carnaval Canas de Senhorim Portugal
Canon EOS 300D Digital Rebel ,Tamron AF 28-200mm f/3.8-5.6 XR
25 janeiro 2007
Colaboradores "carnaval"
Foto de Farpas Carnaval de Canas de Senhorim 2006
23 janeiro 2007
22 janeiro 2007
A espiga de milho





















