04 outubro 2008

O carnaval de Canas

Canas de Senhorim sempre foi rica no que diz respeito a tradições. Uma delas, provavelmente a mais enraizada é o Carnaval. Três dias no ano em que Canas perde a união que a caracteriza e divide-se em dois bairros: Rossio e Paço. Três dias onde ganha quem mostra mais "qualidade".
Os preparativos começam logo no primeiro dia do ano; Grupos começam as reuniões e as grandes decisões. Nas associações preparam-se os respectivos carros alegóricos, muitos deles com sátiras politicas e sociais.Domingo Gordo. A primeira prova de fogo. A ansiedade e a rivalidade sente-se no ar. O primeiro encontro dos bairros rivais dá-se na Av. Eng. Dionísio A. Cunha, onde cada um passa pelo outro, "mostrando-se" ao adversário. Cada um tenta cantar (algumas vezes berrar) mais alto que o outro, naquilo a que podemos chamar o primeiro teste as cordas vocais de cada um.
O dia seguinte; Segunda-Feira das Velhas. O dia da crítica. Duas pequenas marchas, inundam as ruas principais de Canas de sátira e crítica. Cada bairro critica os carros alegóricos ou as fardas, com cartazes com ditos mordazes.
O Ponto alto. A Terça - Feira de Carnaval. A emoção, o êxtase, adrenalina. Tudo o que lhe queiram chamar. Não existem palavras que descrevam o que cada "adepto" mais ferrenho sente quando os respectivos bairros se confrontam nas quatro esquinas. Suor, vapor emana do centro do despique, onde todos entoam o hino do seu bairro. Vem do coração. Todos o sabem de cor e sentem cada palavra. E, quando acaba, todos sorriem. Por agora acabou, mas, fica dentro de cada um o sabor de mais um Carnaval passado. E a certeza que para o próximo ano há mais.


Carlota Ambrósio

http://canascriativa.blogs.sapo.pt/

14 julho 2008

O nosso carnaval visto pelo site visitportugal.com

Carnaval de Canas de Senhorim


A origem do Carnaval em Canas de Senhorim acompanhou a evolução histórica da localidade. Nasceu com a formação dos bairros do Paço, zona nobre, e do Rossio, onde se instalou o povo e a burguesia. A diferença social dos seus habitantes foi razão suficiente para que estes dois grupos se confrontassem no Carnaval, altura do ano propícia à denúncia e à crítica, sem ninguém "levar a mal".

Hoje em dia, continuam a organizar-se duas marchas carnavalescas que percorrem as ruas da vila, na 3ª Feira de Carnaval, e se confrontam no cruzamento da rua principal do bairro do Rossio com a rua que dá acesso ao bairro do Paço. Acontece então o Despique, o momento em que os dois grupos cantam e dançam com mais convicção, numa batalha festiva. O grupo que se impuser na alegria e na boa disposição é considerado o vencedor do Carnaval.

O Carnaval de Canas de Senhorim tem início logo no dia 6 de Janeiro, Dia de Reis, com as Paneladas. Originariamente, era a altura em que os mascarados saiam pelas ruas e, aproveitando os tradicionais postigos das portas, atiravam para dentro das casas panelas de barro velhas, cheias de cinzas e bugalhas, provocando grande estrondo e confusão. No entanto, este costume tem vindo a desaparecer. Actualmente, a festa oficializa-se no Domingo Gordo em que as duas marchas rivais saiem à rua, preparando o grande desfile carnavalesco de 3ª Feira.

A 2ª Feira de Carnaval divide-se em dois momentos. De manhã, acontece a Farinhada, em que as raparigas que saírem de casa até ao meio dia correm o risco de serem enfarinhadas. À tarde, é a 2ª Feira das Velhas. Cantam-se marchas antigas e desfila-se com fatos alusivos ao passado. Aproveita-se ainda para fazer duas marchas informais que pôem a ridículo o que se passou no ensaio geral de Domingo Gordo.

O Carnaval termina na 4ª Feira de Cinzas, com a Queima do Entrudo. Depois da Batatada, jantar de grupo cujo prato principal é o bacalhau com batatas, ovos, hortaliça, pão e vinho, o palhaço do Entrudo é passeado pelas ruas fazendo-se a despedida do Carnaval. Depois da leitura do testamento, o boneco é queimado em público, determinando o fim da festa e o início da Quaresma.

(Parabéns ao site visitportugal.com. Quem escreveu este artigo sabia do que estava a falar.)

18 fevereiro 2008

13 fevereiro 2008

Carnaval de Canas - VI séculos

Quando se tem tempo para analisar coisas descobre-se sempre algo fantástico!...

Para se ir à origem do Carnaval de Canas de Senhorim, já que deve ter por volta de 400 anos, somos confrontados com o século XVI... Mas isso é só fazer contas!...
O Entrudo, nome dado às brincadeiras de Carnaval, foi muito provavelmente levado para o Brasil pelos Portugueses... Nesses séculos, nas aldeias portugueses o período de Carnaval estendia-se entre o Dia de Reis e a Quarta Feira de Cinzas. Logo aí temos uma semelhança com os dias de hoje em Canas de Senhorim. Tradições como as Paneladas, Pisões, “Mascaradas”, “bombinhas”, “rusgas”, despique, arremesso de objectos para o outro bairro entram no chamado Entrudo Popular, características conhecida doutros Carnavais, praticado por gente do Povo e escravos no século XVI... Se eu conhece-se a estruturação populacional do Século XVI em Canas de Senhorim diria que o nossos “Entrudos” estão na génese do Carnaval e foram muitas coisas mantidas até aos dias de hoje... A denominação genérica de Entrudo, entretanto, engloba toda uma variedade de brincadeiras dispersas no tempo.
O Entrudo, para alguns autores, eram brincadeiras de “folguedo alegre mas violento”... Lembro logo as esperas e “porradas” que aconteciam a quando a passagem das marchas tanto no Paço como no Rossio e que ainda hoje acontecem (se calhar infelizmente) na 2º Feira da Velhas e no Despique...

Posso, sem estar a ser pretensioso, concluir que se ainda hoje se mantém em Canas de Senhorim as características encontradas noutros carnavais portugueses e brasileiros do século XVI, então podemos afirmar com alguma certeza científica que o Carnaval de Canas tem 400 anos... E se os nossos estudiosos perdessem tempo a analisar isto?

Créditos: Wikipédia e outros autores